Dia 5 - 1999
Só uma coisa a dizer sobre o dia de hoje - não existem mais distâncias nesse mundo.
(a propósito: quem não leu "1999" tem que ler)
Escrito por 021 às 18h25
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Dia 4 - in Jordan we trust
Hoje o Brasil folgou aqui em Las Vegas blá, blá, blá. Os Estados Unidos humilharam as Ilhas Virgens com gosto blá, blá, blá.
E eu joguei num cassino.
Já tinha entrado antes, na Austrália, em Portugal, na Argentina. Mas nunca jogado, pois jogo pra mim era coisa de tolo.
Mas aqui, Las Vegas, com amigos, depois de mais um dia de trabalho, fomos tomar uma cervejinha no Hard Rock Cafe Cassino, que fica ao lado do Hard Rock Cafe Hotel e do Hard Rock Cafe. O que teve uma grande vantagem - foram duas horinhas ao som de Nirvana, Metallica, Doors... só som bom. Ao contrário dos outros cassinos que conheci, nada de clima decadente. Muita gente jovem, além de, claro, um monte de americano redneck babaca.
Nesse tom, eu e mais dois camaradas fomos pra roleta (o terceiro já tinha perdido uma grana no 21 e ficou olhando). Comprei 50 dólares em fichas, o que achei um certo absurdo pra quem só não queria estragar o prazer da brincadeira. Joguei 5 no 23 e um dólar em outros números que me dizem algo - 3, 5, 6, 8, 11, 22, 29...
Deu 23 de cara.
A crupiê (tarde demais pra checar a grafia correta, sorry...) me encheu de fichinhas brancas, que valem 1 dólar, e quatro coloridas, que valem 25. De cara, meus 50 tinham virado uns 180, 200...
Mandei as coloridas pro bolso, pra garantir o lucro (e não me sentir tolo de ter jogado) e fiquei umas 15 rodadas apostando, ganhando apenas mais uma vez (bem menos). Quando me cansei e decidi sair, porque estava chato, joguei uns 30 dólares no 23 de novo - se acertasse, ganharia mais de 1000 (o acerto na mosca paga 36 vezes o valor apostado). Deu 15.
Mandei a gorjeta da moça, que me deu sorte, guardei uma branquinha de lembrança e saí com 100 dólares no bolso, em vez de 50.
Já posso botar um Air Jordan amanhã na conta de Vegas.
Ah, sim - jogo é mesmo coisa pra tolo. Sorte que não sou.

Escrito por 021 às 07h19
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Dia 3 - bola ao alto
Começou - e começou bem. Ganhamos, e isso é o que importa, porque como diz o chavão, estréia é estréia. E aqui, ninguém quer saber de jogar bem. Vale a máxima de Dunga, de que o importante é o resultado, a vaga pra Pequim. Fodam-se os que estão aqui pra criticar o Lula, o esquema do Lula, a convocação do Nezinho, a forma do Nenê. A corrente tem que ser pela vaga, pelo Brasil, pela vitória. E, pelo que vi nesse primeiro dia, somos sim favoritos à segunda vaga, como os próprios americanos afirmam. Por um simples motivo - dá pra sentir no time uma união em busca desse objetivo. Eu tenho fé, eu tenho fé.
Só me falta ver a estréia dos argentinos amanhã. Mas, cá entre nós, nem mesmo os próprios jornalistas argentinos com quem conversei acreditam nesse time tão desfalcado.
Ah, sim - o time de Porto Rico me pareceu três anos mais velho e mais cansado do que aquele que vi bater os americanos em Atenas. E isso é ótimo.
Péssimo foi ver México e Uruguai atirando como franco-atiradores que são. O México, principalmente, pode dar trabalho.
* * *
A seleção brasileira teve os 30 pontos do Leandrinho, que não teve uma noite inspirada, como ele mesmo admitiu. Teve também um Tiago bem nos rebotes e horroroso no ataque - suas mãos pareciam de sabão. E teve Nenê nervoso, irritado... o que pode não ter sido bom hoje, mas uma promessa de atuações melhores pela frente. Faltou mais do Marcelinho - mais jogo e tempo de jogo.
* * *
Os americanos vieram pra massacrar, não menos. Foi o que vi na estréia diante da Venezuela. Kobe se matando na marcação! Eu vou repetir, pra não parecer erro - Kobe se matando na marcação. Provocando os adversários. Kidd, Lebron, Melo, Amaré, Howard, Billups... não vieram pra brincar, nem dar show. Até porque, o ginásio hoje devia ter, mais ou menos, 20 por cento de sua capacidade ocupada.
Ninguém mandou fazer o Pré-Olímpico nessa cidade de merda.
* * *
Uau!
É o que todos dizem quando falam sobre nossa posição de narração aqui em Las Vegas. E pensar que a Fox americana está lá no cantinho da quadra...
* * *
Preciso comprar uma câmera aqui. Não é todo dia que se tem a chance de uma foto com o Lebron James de chinelos e meias. O mais legal de cobrir um evento como esses é estar tão perto dos caras, assim como foi legal tocar violão com o Guga, trocar uma idéia com o Safin, comer pizza com os Grael e por aí vai.
Se o Kobe não fosse tão marrento e tão Lakers, eu até o chamaria de Mister Bryant pra pedir uma foto com ele.
Escrito por 021 às 03h58
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Dia 2 - Vegas
Dizer que aqui faz calor seria o mesmo que afirmar que Bangu ou Atenas têm um clima aprazível; aqui é o inferno no meio de um deserto - em todos os sentidos.
Las Vegas é uma cidade sui generis. Até o sol baixar, andar na rua é tarefa para poucos corajosos ou desafortunados. Não se trata apenas do calor, mas do bafo quente que sopra do deserto e varre a cidade.
Deve ser o Diabo soprando enquanto ri.
* * *
O Thomas & Mack Center, ginásio da UNLV, a Universidade de Nevada em Las Vegas, não chega a ser lindo. Tem aquele padrão americano, mas não é tão grande, nem tão moderno, tampouco charmoso - na verdade, nada aqui tem charme.
Mas meu sorriso quando vi de onde vamos narrar os jogos demorou a sair do rosto. Ficaremos a pouco mais de dois metros da quadra, bem no meio dela, na linha. Sensacional.
* * *
Que o vento do deserto deixe as mãos brasileiras quentes para nossa estréia amanhã.
Escrito por 021 às 04h45
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Dia 1 - todo masoquismo é uma forma de amor e vice-versa.
Fiz as contas antes do prato de comida, um bife com brócolis, chegar à mesa - foram vinte e oito horas sem comer, por conta da viagem inteira passando mal e de um primeiro dia já de trabalho e correria. Não à toa saí com uma cara de quarenta e cinco anos de idade na credencial.
Mas Las Vegas é, certamente, o segundo lugar em que eu mais queria estar nesse momento.

Escrito por 021 às 04h05
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