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O 021 decidiu se mudar, por motivo de força maior:

http://021blog.blogspot.com/



Escrito por 021 às 10h51
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Bosta de Elite

Foi o Guilherme quem me chamou a atenção para o título da matéria de capa da Veja desta semana:

"(...) O FILME TROPA DE ELITE É O MAIOR SUCESSO DO CINEMA BRASILEIRO PORQUE TRATA BANDIDO COMO BANDIDO E MOSTRA USUÁRIOS DE DROGAS COMO SÓCIOS DOS TRAFICANTES."

 

 

Puta que pariu, foi a primeira coisa que pensei, e pela milésima vez pelo mesmo motivo. Mais um idiota escrevendo sobre um ponto de vista míope, preconceituoso, americanizado, burguês, burro...

Esse vai ser um texto repleto de palavrões, por isso eu vou logo pedindo desculpas e avisando que estômagos mais sensíveis podem se sentir ofendidos com o que virá a seguir.

Avisei.

Quem associa a violência no Rio de Janeiro ao tráfico é burro. Burro, cego e surdo pra cidade em que vive. Porque tráfico existe em qualquer lugar do mundo onde haja drogas. E drogas, como sabemos, existem em qualquer lugar do mundo. Então tráfico também. Em tão alta escala quanto no Rio ou até mais. Raramente com a mesma violência e crueldade. Mas sempre na mesma oferta. Só mais caro. Paris, Roma, NY, Vegas, Sydney, Lisboa, Buenos Aires. Qualquer um pode comprar droga nesses lugares.

O tráfico não gera em todos os lugares onde é presente a mesma violência que gera aqui, necessariamente. Ele é uma imposição de uma política absurda implementada pelos EUA no início do século passado para reprimir entorpecentes, principalmente a maconha e o ópio, que acabou sendo adotada globalmente. Foi quando assinou-se a sentença de morte de uma série de variedade de plantas para referendar-se a produção em escala global de bebidas alcóolicas, que matam muito mais do que qualquer droga ou guerra jamais matou.

(Não me lembro de caso recente de acidente de trânsito com morte por conta de um motorista chapado. Mas o bêbado do caminhão outro dia matou um monte na estrada, a 120 por hora. Ah, mas cerveja, cachaça, conhaque, nada disso é droga... É um animal quem pensa assim. Porque o almofadinha certinho e careta e politicamente correto que sai do barzinho da moda no Leblon bêbado dirigindo é muito mais filho-da-puta do que o que compra droga no morro.)

Eu tô cansado de viver num lugar onde é moralmente condenável comprar algo que é proibido plantar, enquanto é a coisa mais comum do mundo ver quase todo mundo que eu conheço, em algum momento, completamente bêbado e, por isso mesmo, sujeito a fazer todo tipo de merda - até dirigir.

Ou alguém me dá algum outro motivo consistente além do trânsito para proibirem alguém de alterar a mente com qualquer tipo de droga? Que mal ou violência um chapado ou doidão é capaz de fazer que um bêbado não seja?

Sim, eu posso beber e dirigir, posso fumar tabaco até definhar, mas não posso plantar maconha, porque o Tio Sam assim quis na década de 20 do século passado. Basicamente, é esse o paradigma atual.

Não são as drogas - ou o tráfico - que originam a violência no Rio. Porque aqui, o tráfico de drogas é só uma manifestação da violência que, no caso de nossa socieade, existe não por existirem tráfico ou drogas, mas sim por existir uma desigualdade revoltante que se faz presente na praia, na praça, no estádio, na ZS, na ZN, em todo lugar. Pra qualquer lado que se olhe, tem um rico tirando onda com um pobre - mesmo que essa seja a última coisa que a pobre alma rica queira fazer. Mas faz.

É essa desigualdade que revolta o moleque de 12 anos que vai levantar pipa pro trafico por 200 por semana. Aí ele desce e compra um nike, uma bermuda da moda e vai dar um rolé em Ipanema, se achando menos deslocado do que antes. Como eu vi hoje, no 10 - um grupo de cinco ou seis meninas que seguramente eram do Cantagalo ou Pavão sendo olhadas de banda pela maioria patricinha que frequenta aquele trecho da praia. Mal sabe o tal moleque que o Nike e a bermuda farão pouca diferença, dependendo do seu tom da sua pele.

Aí esse moleque chega na praia e vê iPod, Blackberry, menininha de quinze anos dando um dois, playboy de Tag Heuer no pulso, pittboy de Oakley na cara... e todo mundo filmando ele, que é preto. Ou mulato, ou pardo ou, simplesmente, fora do padrão dourado do local. "Pobre tem pinta de pobre". Onde eu ouvi isso? Adivinhem...

Tivesse eu nascido favelado, nem gosto de pensar em como seria lá pelos meus quinze anos de idade num lugar com gente que pensa assim.

E aí eu pergunto - é a porra da droga que faz o moleque virar bandido? Ou é a revolta que ele sente por viver fora daquilo, na realidade fodida de um morro, de um Complexo? Meus amigos, dêem graças a Deus por todo esse contingente estar agora em seus morros, esperando pra vender, botar na gaveta, descer pro baile e fechar o feriado santo sem tiro se possível. Porque o traficante quer as mesmas coisas que eu e você - da diversão na noite de sexta ao dinheiro no bolso pra pagar o leite das crianças. Porque traficante também tem filho.

E garanto - trafica porque não conseguiu nada digno pra fazer. Do mesmo jeito que cada camelô que vendeu uma cópia pirata do filme. Como disse o Mano Brown rispidamente no Roda Viva, "cê acha mesmo que o irmão iria tá lá no centro todo dia correndo da polícia se tivesse trabalho digno pra fazer?"

Só que não tem. Aí vai vender droga. Ou vai puxar carro. Vai assaltar banco, apartamento na Lagoa. Vai formar quadrilha pra sequestrar empresário da Barra que anda em carro de quinhentos mil reais. Quer saber? Eu acho mais é que quem tem a coragem e a falta de noção de andar num carro assim no nosso país tem mais é que tomar tiro na cara. Cara-de-pau.

É como passear num campo de refugiados no Máli comendo um sundae da Chaika. Afronta. Confronto.

No delicado equilíbrio de forças da nossa cidade, o confronto está cada vez mais presente. Um dia, o aparante estado de controle das coisas cai. Aí fodeu.

E, claro, vai tem gente dizendo que é por causa das drogas. Do mesmo jeito que, provavelmente, alguém vai ler isso aqui e achar que eu tô defendendo traficante ou tráfico. Porra, seu tonto, eles são consequência do que eu e você ajudamos a sustentar, uma sociedade fodida, partida, cada vez mais bipolar.

Porra, um dia a casa vai cair porque a tal bosta de elite continua comendo pizza de 50 reais, comprando vestido de 300, tênis de 500, carro de 60, 70, 100, 200... enquanto paga setentinha pra faxineira passar o dia inteiro em suas casas limpando... Não houvesse drogas ou tráfico, e a situação seria a mesma, pois a desigualdade e o ódio seriam os mesmos - sim, porque cada vez mais o pobre odeio o rico no Rio de Janeiro, e com motivo.

Pelo mesmo motivo que eu nem me arrisco a ver o filme de novo num cinema, sujeito a ouvir algum absurdo proferido por um sem-noção de merda qualquer perto de mim. Porque eu comprei um DVD pirata em Bonsucesso, botei quatro reais no bolso de um fodido que não conseguiu emprego decente mas que não tá roubando, tá correndo atrás do dele. Por mais chavão de moleque-de-bala-em-ônibus que isso possa ser. E cá entre nós, honestamente. Quem não usar soft pirata que atire a primeira pedra nele e em mim.

É pena que filme tão bom tenha tocado na questão das drogas, principalmente a maconha, através do ponto de vista pessoal do André Batista, co-autor do livro e fonte de inspiração pro Matias. Foi ele quem estudou na PUC e encarou aquelas situações. Que acontecem igualzinho, sem tirar nem pôr, na Unisuam, em Bonsucesso, na Gama Filho, em Pilares, no CIEP da Lagoa ou no de Vaz Lobo, no colégio mais tradicional ou mais bordel. Porque a venda e o consumo, ao contrário do que e elite míope pensa, são hoje intrínsecas à toda e qualquer socieadade, rica ou pobre, carioca ou européia. Fuma-se mais maconha no subúrbio, cheira-se mais coca na Zona Sul. É a única diferença mais perceptível. O consumo de drogas vai do ricaço aqui do lado ao trocador de ônibus que mora na Mangueira e rala pra caralho pra sustentar a família.

Não é a droga que fode nossa sociedade. São a desigualdade e a hipocrisia, que andam de mãos dadas no calçadão de Ipanema ou Leblon. Mesmo calçadão onde o rico desfila, o moleque do Nike se sente falsamente inserido... e onde o surfistinha compra a droga que quiser com o hippie das cangas.

Mas a culpa de toda essa merda é do maconheiro, claro.

 

 

*         *         *

Nessa mesma cidade partida, domingo, em Copacabana, outra passeata pelo orgulho gay (quantas são por ano agora?) terá desta vez como bandeira a "criminalização da homofobia". Sério.

Eu vou aproveitar pra xingar tudo quanto é viado que passar na minha frente enquanto eu ainda posso sem ser preso por isso. Na boa, não somos sérios...

 



Escrito por 021 às 22h57
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Dia 16 - devia ter acabado no 12...

Como parte de meu plano de ficar acordado o máximo possível hoje para tentar dormir nas dezesseis horas de vôos que me esperam amanhã, acabo de assistir na tv a um documentário sobre a Segunda Guerra Mundial, focado na invasão americana ao Japão.

Eu nunca tinha visto nada igual. Nem naqueles filmes antigos sobre o extermínio de judeus pelos nazistas.

Durante uma hora e meia, imagens cruas e assustadoras da guerra, entremeadas com a leitura de cartas de militares americanos para familiares, amigos, esposas, filhos.

Vez por outra, um desses textos recebia o comentário "fulano morreu tantos dias depois". Sempre ao som de Sinatra, Nat King Cole, Ella Fitzgerald. 

De mariners sendo alvejados na cabeça a civis japoneses se jogando de penhascos, atendo à ordem de suicídio coletivo em vez da rendição, passando por grotescas imagens das invasões por mar às ilhas japonesas e ataques dos pilotos kamikazes, vi de tudo um pouco, e mais que o suficiente pra não entender como os alemães até hoje carregam a culpa dos erros de suas gerações passadas e os americanos não.

E, logo hoje, a notícia intermitente na CNN era um comunicado da Al Qaeda sobre um futuro novo pronunciamento do louco de barba.

O homem não aprende. Mas os americanos, esses me impressionam realmente.

Good bye, America. Never more, I hope.



Escrito por 021 às 02h58
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Dia 12 - The End

Meu Deus, alguém me tire daqui...

Este é o país mais escroto do mundo e esta é a cidade mais escrota do país - onde todos os escrotos dos americanos se reúnem para as atividades mais escrotas que existem.

O louco de barba estava certo, só expressou seu ponto de vista da maneira errada.

Ou não.

*        *        *

O Brasil dançou, minha promessa pela vaga olímpica dançou, mas pelo menos eu dei mais uma porradinha na roleta hoje. Já estou no zero a zero de novo.

E não consigo esquecer aquele episódio dos Simpsons em que o Homer fica repetindo pra Margie no fim: "mas você tem um problema com jogo!"... rs...

*        *        *

Um dos problemas da blogosfera é qualquer um poder escrever qualquer coisa, dar sua estúpida opinião sobre qualquer assunto como se fosse o mais fiel especialista. "Falar o nada com veemência"...

Por isso tanta gente que nunca pegou numa bola de basquete agora vai sair falando mal de Deus, jogadores, jornalistas, narradores, comentaristas...

Eu, pelo menos, sou pago pra isso. E me garanto no Aterro, mesmo atleta paraolímpico que sou no momento.

 



Escrito por 021 às 07h57
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Dia 10 - Timing

Tempo, sempre ele, o tempo...

Para o Brasil, espero que ele jogue novamente a favor. Assim como a derrota para Porto Rico, espero que a de ontem, para a Argentina, sirva para nos empurrar à vitória e à classificação daqui a pouco, contra o Uruguai.

Para mim, tá jogando contra... achei que marcando a volta pro dia 7, chegando 8 e trabalhando 9, estaria fazendo o melhor planejamento possível. Até descobrir que na noite do dia 7 tem Snoop Dogg ao lado do meu hotel e, na do dia 8, Linkin Park, ambos os shows no Hard Rock, que comemora 25 anos...

Uma pena, principalmente pelo Linkin Park. Que o Brasil vença, pelo menos.



Escrito por 021 às 19h39
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Dia 8 - derrota

Eu nem sei dizer qual foi a maior hoje - a da seleção, dominada de forma vergonhosa por Porto Rico, um time que entrou na segunda fase no último segundo, literalmente... ou a minha, por conta dos muitos problemas técnicos na transmissão de hoje, problemas que não têm cabimento em terem acontecido.

Mas basquete e televisão são parecidos nisso. Depois de uma derrota, o lance é botar a cabeça no travesseiro e pensar no jogo seguinte. E quando eu boto a minha, sei que tentei o melhor.

 



Escrito por 021 às 01h48
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Dia 6 - Randon Thoughts 'bout Vegas

Las Vegas tem 1,9 milhão de habitantes, segundo li. Onde esse povo se esconde eu sinceramente não sei. Mas o fato é que, à noite, a cidade deve gastar mais luz que São Paulo. Fácil... * aqui eu tenho dirigido uma Ford Explorer automática. Um carro que, no Rio, eu teria medo de usar, sem dúvida. Mas que em Vegas é carrinho de brinquedo, que nem aquele do vizinho do anúncio do 407 da Peugeot... * a cidade é planejada, toda quadrada, tranquilíssima de andar. Mas nem precisava - o GPS alugado junto com o carro fala com o motorista e, se eu for mesmo até LA, me canta curva à curva até Venice. Vou me sentir na idade da pedra quando me perder de novo no Rio com meu carrinho... * aqui estão os sete maiores hotéis do planeta, o maior número de cassinos do mundo e algumas das maiores cafonices da história da humanidade por conta disso também... * Ah, sim - tem Niketown. Ai... * só tem mulher gorda aqui, impressionante. Se aparece alguma daquelas que poderiam pegar um sol no 10, a primeira pergunta que vem à cabeça é: será que está trabalhando hoje à noite?... * Só em Vegas eu poderia estar escrevendo essas inutilidades ouvindo Sepultura a todo volume, quase meia-noite, sem realmente estar incomodando ninguém... * pra compensar, só na América se você está atravessando a rua em frente ao hotel, às três da manhã, sem quase nenhum carro passando (mas fora da faixa), vem um carro de polícia do nada e dá uma guinada violenta pra cima de ti, ligando a sirene, só pra te "ensinar" a não atravessar no lugar errado. Exatamente como fazem em sua política externa, querendo ensinar ao mundo seu conceito de "certo e errado". Me deu vontade de jogar uma bomba nisso aqui... ôpa, é melhor não escrever isso nem brincando... * ps1 - jogo é mesmo coisa de tolo - meu saldo caiu pra $10... * ps2 - depois daqui, periga eu achar Amsterdã no ano que vem nada demais... * ps3 - levamos um susto, ou melhor, dois, mas vencemos a terceira.



Escrito por 021 às 03h19
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Dia 5 - 1999

Só uma coisa a dizer sobre o dia de hoje - não existem mais distâncias nesse mundo.

(a propósito: quem não leu "1999" tem que ler)



Escrito por 021 às 18h25
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Dia 4 - in Jordan we trust

Hoje o Brasil folgou aqui em Las Vegas blá, blá, blá. Os Estados Unidos humilharam as Ilhas Virgens com gosto blá, blá, blá.

E eu joguei num cassino.

Já tinha entrado antes, na Austrália, em Portugal, na Argentina. Mas nunca jogado, pois jogo pra mim era coisa de tolo.

Mas aqui, Las Vegas, com amigos, depois de mais um dia de trabalho, fomos tomar uma cervejinha no Hard Rock Cafe Cassino, que fica ao lado do Hard Rock Cafe Hotel e do Hard Rock Cafe. O que teve uma grande vantagem - foram duas horinhas ao som de Nirvana, Metallica, Doors... só som bom. Ao contrário dos outros cassinos que conheci, nada de clima decadente. Muita gente jovem, além de, claro, um monte de americano redneck babaca.

Nesse tom, eu e mais dois camaradas fomos pra roleta (o terceiro já tinha perdido uma grana no 21 e ficou olhando). Comprei 50 dólares em fichas, o que achei um certo absurdo pra quem só não queria estragar o prazer da brincadeira. Joguei 5 no 23 e um dólar em outros números que me dizem algo - 3, 5, 6, 8, 11, 22, 29...

Deu 23 de cara.

A crupiê (tarde demais pra checar a grafia correta, sorry...) me encheu de fichinhas brancas, que valem 1 dólar, e quatro coloridas, que valem 25. De cara, meus 50 tinham virado uns 180, 200...

Mandei as coloridas pro bolso, pra garantir o lucro (e não me sentir tolo de ter jogado) e fiquei umas 15 rodadas apostando, ganhando apenas mais uma vez (bem menos). Quando me cansei e decidi sair, porque estava chato, joguei uns 30 dólares no 23 de novo - se acertasse, ganharia mais de 1000 (o acerto na mosca paga 36 vezes o valor apostado). Deu 15.

Mandei a gorjeta da moça, que me deu sorte, guardei uma branquinha de lembrança e saí com 100 dólares no bolso, em vez de 50.

Já posso botar um Air Jordan amanhã na conta de Vegas.

Ah, sim - jogo é mesmo coisa pra tolo. Sorte que não sou.

 



Escrito por 021 às 07h19
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Dia 3 - bola ao alto

Começou - e começou bem. Ganhamos, e isso é o que importa, porque como diz o chavão, estréia é estréia. E aqui, ninguém quer saber de jogar bem. Vale a máxima de Dunga, de que o importante é o resultado, a vaga pra Pequim. Fodam-se os que estão aqui pra criticar o Lula, o esquema do Lula, a convocação do Nezinho, a forma do Nenê. A corrente tem que ser pela vaga, pelo Brasil, pela vitória. E, pelo que vi nesse primeiro dia, somos sim favoritos à segunda vaga, como os próprios americanos afirmam. Por um simples motivo - dá pra sentir no time uma união em busca desse objetivo. Eu tenho fé, eu tenho fé.

Só me falta ver a estréia dos argentinos amanhã. Mas, cá entre nós, nem mesmo os próprios jornalistas argentinos com quem conversei acreditam nesse time tão desfalcado.

Ah, sim - o time de Porto Rico me pareceu três anos mais velho e mais cansado do que aquele que vi bater os americanos em Atenas. E isso é ótimo.

Péssimo foi ver México e Uruguai atirando como franco-atiradores que são. O México, principalmente, pode dar trabalho.

*        *        *

A seleção brasileira teve os 30 pontos do Leandrinho, que não teve uma noite inspirada, como ele mesmo admitiu. Teve também um Tiago bem nos rebotes e horroroso no ataque - suas mãos pareciam de sabão. E teve Nenê nervoso, irritado... o que pode não ter sido bom hoje, mas uma promessa de atuações melhores pela frente. Faltou mais do Marcelinho - mais jogo e tempo de jogo.

*        *        *

Os americanos vieram pra massacrar, não menos. Foi o que vi na estréia diante da Venezuela. Kobe se matando na marcação! Eu vou repetir, pra não parecer erro - Kobe se matando na marcação. Provocando os adversários. Kidd, Lebron, Melo, Amaré, Howard, Billups... não vieram pra brincar, nem dar show. Até porque, o ginásio hoje devia ter, mais ou menos, 20 por cento de sua capacidade ocupada.

Ninguém mandou fazer o Pré-Olímpico nessa cidade de merda.

*        *        *

Uau!

É o que todos dizem quando falam sobre nossa posição de narração aqui em Las Vegas. E pensar que a Fox americana está lá no cantinho da quadra...

*        *        *

Preciso comprar uma câmera aqui. Não é todo dia que se tem a chance de uma foto com o Lebron James de chinelos e meias. O mais legal de cobrir um evento como esses é estar tão perto dos caras, assim como foi legal tocar violão com o Guga, trocar uma idéia com o Safin, comer pizza com os Grael e por aí vai.

Se o Kobe não fosse tão marrento e tão Lakers, eu até o chamaria de Mister Bryant pra pedir uma foto com ele.



Escrito por 021 às 03h58
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Dia 2 - Vegas

Dizer que aqui faz calor seria o mesmo que afirmar que Bangu ou Atenas têm um clima aprazível; aqui é o inferno no meio de um deserto - em todos os sentidos.

Las Vegas é uma cidade sui generis. Até o sol baixar, andar na rua é tarefa para poucos corajosos ou desafortunados. Não se trata apenas do calor, mas do bafo quente que sopra do deserto e varre a cidade.

Deve ser o Diabo soprando enquanto ri.

*        *        *

O Thomas & Mack Center, ginásio da UNLV, a Universidade de Nevada em Las Vegas, não chega a ser lindo. Tem aquele padrão americano, mas não é tão grande, nem tão moderno, tampouco charmoso - na verdade, nada aqui tem charme.

Mas meu sorriso quando vi de onde vamos narrar os jogos demorou a sair do rosto. Ficaremos a pouco mais de dois metros da quadra, bem no meio dela, na linha. Sensacional.

*        *        *

Que o vento do deserto deixe as mãos brasileiras quentes para nossa estréia amanhã.

 



Escrito por 021 às 04h45
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Dia 1 - todo masoquismo é uma forma de amor e vice-versa.

Fiz as contas antes do prato de comida, um bife com brócolis, chegar à mesa - foram vinte e oito horas sem comer, por conta da viagem inteira passando mal e de um primeiro dia já de trabalho e correria. Não à toa saí com uma cara de quarenta e cinco anos de idade na credencial.

Mas Las Vegas é, certamente, o segundo lugar em que eu mais queria estar nesse momento.



Escrito por 021 às 04h05
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Chegou ao fim o maior mistério recente do esporte.

Em entrevista a um programa de tv italiano, Marco Materazzi, o zagueiro mais botinudo e raçudo do mundo - que eu adoraria ver vestindo o manto, apesar de tudo - revelou o que disse a Zidane na final da Copa, capaz de fazer o francês perder a cabeça em seu peito.

"Eu prefiro a puta da sua irmã".

A revelação tardia do conteúdo da frase se deveu a um só motivo - os rumores de que teria se tratado, na verdade, de uma ofensa racista.

"Não, nada disso. Eu agarrei a camisa de Zidane por alguns segundos. Ele então virou-se para mim, de forma arrogante, e perguntou se eu a queria depois do jogo. Respondi com um insulto. Só isso."

Eu, em vez da cabeçada, teria quebrado-lhe o nariz. Sem pensar uma vez.

 

 Minha admiração pelo francês só aumentou com a revelação da frase.

 

*        *        *

Em uma surpresa da vida - ainda mais depois de tudo que a vida trouxe no último ano e meio - estão me mandando pra Las Vegas, logo lá, pra cobrir o Pré-Olímpico de Basquete das Américas.

Duas semanas respirando basquete e lembrando de um livro do mestre.

 



Escrito por 021 às 14h23
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Vermelho, preto, vermelho, preto, vermelho, preto...

Alguém tem que avisar aos responsáveis pelo Maracanã que os maravilhosos telões instalados no estádio, do jeito que estão funcionando, não servem para nada além de mais gasto com energia. No jogo entre Flamengo e Náutico, não mostraram um lance sequer fora do tempo real. Ora bolas, se você vai ao estádio, não vai ficar olhando pra telão. E se o telão não mostra replay de lance algum, serve para o quê?

Aliás, quem será o responsável pelo telão?

E deu saudades do antigo placar, do antigo Maracanã, na verdade. Quintal dos meus domingos numa época de minha vida em que normas não eram tão necessárias para civilizar pessoas - nem grades, assentos, divisórias.

 

 

O Flamengo fez um primeiro tempo horrososo e só foi melhorar, apesar do meu deboche na hora, quando o Maxi entrou. O argentino procurou jogo pelas pontas logo de cara e em dois lances, num deles conseguindo um escanteio, levantou a torcida e o time. A partir dali, meio aos trancos e barrancos, o time pressionou e perdeu pelo menos três gols feitos - o último deles, num chute de Leonardo Moura depois de lindo lançamento do Roger.

E eis que, numa repetição quase idêntica do lance, o Léo conseguiu acertar o pé e nos dar a vitória. Duas coisas: eu continuo achando que o Léo Moura foi abduzido há algums meses. E o lançamento do Roger pro gol foi tão preciso que a bola passou muito, muito perto da cabeça do zagueiro do Náutico, que quase evita que ela chegue pro Léo. Se fosse um tanto mais baixa a bola do Roger, teria sido interceptada. Se fosse um tanto mais alta, o Léo não alcançava. Ou seja, milimétrica. E não, eu não gosto do Roger. Mas no atual elenco, é o único capaz de meter uma bola dessas.

*        *        *

Começou nesse fim de semana a Premier League. Pra quem gosta de futebol, basta dizer que: os times ingleses gastaram mais de trezentos milhões de libras em reforços; três deles estão sendo investigados pela Scotland Yard; meia dúzia deles foi vendida nos últimos anos, quatro para donos estrangeiros; dois destes donos não podem retornar a seus países, pois seriam presos. E ainda teremos doze brasileiros.

Olha só o elenco do Manchester, atual campeão, do meio pra frente: Scholes, Giggs, Cristiano Ronaldo, Rooney, Saha, Anderson, Tevez, Solskjaer e Nani (um clone negro do Cristiano Ronaldo que custou quase o mesmo que o Anderson, 17 e 19 milhões - de libras).

Parece time montado no Winning Eleven, mas é de verdade, e feito com dinheiro americano...

E pra que juntar tanto craque? Bem, na estréia o Manchester empatou por zero a zero com o Reading e o Rooney quebrou o pé.

*        *        *

Já que eu puxei o assunto, só pra comparar, meu time na Premier League (do WE) tem, do meio pra frente: Vieira, Redondo, Gullit, Kaká, Messi, Ronaldinho, Zico, Henry e Eto'o.

O Red & Black (que já foi Rossonero no Calcio) ocupa a segunda posição na tabela depois de dez rodadas, atrás do Chelsea.

 

 



Escrito por 021 às 17h39
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Faint

I am a little bit of loneliness a little bit of disregard
Handful of complaints but I can’t help the fact that everyone can see
these scars
I am what I want you to want what I want you to feel
But it's like no matter what I do, I can't convince you, to just believe
this is real
So I let go, watching you, turn your back like you always do
Face away and pretend that I'm not
But I'll be here 'cause you're all that I got

[Chorus]
(I can't feel the way I did before)
(Don't turn your back on me)
(I won't be ignored)
(Time won't heal this damage anymore)
(Don't turn your back on me)
(I won't be ignored)

I am a little bit insecure a little unconfident
Cause you don't understand I do what I can but sometimes I don't make
sense
I am what you never wanna say but I've never had a doubt
It's like no matter what I do I can't convince you for once just to hear
me out
So I let go watching you turn your back like you always do
Face away and pretend that I'm not
But I'll be here 'cause you're all that I've got

[Chorus]
(I can't feel the way I did before)
(Don't turn your back on me)
(I won't be ignored)
(Time won't heal this damage anymore)
(Don't turn your back on me)
(I won't be ignored)

(No)
(Hear me out now)
(You're gonna listen to me, like it or not)
(Right now)
(Hear me out now)
(You're gonna listen to me, like it or not)
(Right now)

(I can't feel the way I did before)
(Don't turn your back on me)
(I won't be ignored)

[Chorus]
(I can't feel the way I did before)
(Don't turn your back on me)
(I won't be ignored)
(Time won't heal this damage anymore)
(Don't turn your back on me)
(I won't be ignored)

I can't feel
Don't turn your back on me
I won't be ignored
Time won't heal
Don't turn your back on me
I won't be ignored

 



Escrito por 021 às 19h05
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